Quando vou correr, não estou sozinha, por mais que pareça; saio para treinar com a paciência, a calma e a criatividade como companheiras. Nós quatro nos divertimos; às vezes, elas ficam em casa; nem sempre corremos com presença. Às vezes, saímos com ansiedade e medo (nem tudo é tão brilhante), mas isso é outra história. Quero que você leve hoje a possibilidade de sair para treinar prestando atenção às emoções, acolhendo outras formas de ver a prática do running.

As coisas boas vêm em grupos de três. Um corredor não é um eremita; independentemente de sair ou não em grupo, ele está acompanhado por emoções, sensações e pensamentos. Tudo o que um corredor vive — enquanto treina — vai muito além do que se pode ver. Às vezes, o que se conhece como “força de vontade” nada mais é do que um conjunto de decisões tomadas a cada dia. Todos os dias.
Afinal, correr com paciência, calma e criatividade é uma escolha que enriquece quem vê o running como algo mais do que um exercício físico. A atividade, em definitiva, é um diálogo entre a mente e o corpo.
Paciência, Calma e Criatividade
Correr leve com intenção requer um certo grau de harmonia — mas não é algo divino — nem requer gurus. O running é uma atividade ideal para treinar a atenção. Além disso, é uma prática que nos permite conhecer a nós mesmos e ao mundo. Visto de fora, pode parecer chato. O que motiva uma pessoa a dar voltas em torno de uma praça por meia hora? Muitas coisas, e uma delas é:
A paciência
Eu sei, o running pode ser um pouco monótono. No entanto, é aí que podemos encontrar a beleza da ação: no poder da repetição. A paciência é uma virtude que se treina. Porque no running e na atividade física, a palavra-chave é “progressão”. Um bom corredor não surge do nada.
Paciência e confiança. Com essa fórmula, o treinamento nos fortalece.
O perfeito é inimigo do bom; por isso, seja paciente com seu próprio processo de desenvolvimento para se tornar um corredor melhor. Uma boa base aeróbica, força para melhorar a passada, capacidade cardiorrespiratória, determinação para enfrentar os desafios, quilômetro a quilômetro. Tudo isso e muito mais exige paixão, paciência e perseverança. “Os três P” do corredor.
Corremos passo a passo, expiração a expiração, momento a momento… essa prática já traz incorporados seus próprios elementos meditativos.
Jon Kabat Zinn.

A calma
Assim como a paciência, a calma é uma ferramenta poderosa para potencializar o desempenho dos corredores de curta e longa distância. E é a chave para começar uma corrida com o pé direito. Às vezes, a emoção toma conta de nós e queremos sair correndo em um ritmo acima das nossas possibilidades. Esquecendo que ainda há muitos quilômetros pela frente.
Já que, um bom corredor é aquele que sabe administrar seus recursos e sua energia. Um corredor que pratica meditação consegue encontrar a calma mesmo nas situações mais desafiadoras.
Proponho um exercício: reserve um momento do dia para se sentar em um banco do parque e observar os corredores passando. Você vai notar a diversidade de estilos, e ao mesmo tempo, a variedade de ritmos e passadas. Observe suas expressões faciais; depois de alguns minutos, você verá que seus rostos irradiam uma calma concentrada.
A respiração consciente, diminuir o ritmo, confiar em você e nas suas habilidades. Isso pode ajudar a entrar no que é conhecido como “estado de flow”. Uma espécie de fascinação suave em que você se sente calmo, em comunhão e harmonia com a atividade que está realizando. Porque a calma é fruto da paciência e da confiança. Um pouco de paciência e calma são necessárias para encontrar ao longo do caminho:
A criatividade
A criatividade faz parte da natureza humana. Uma das coisas mais fascinantes do running é a possibilidade de correr leve para criar novos caminhos e formas de vivenciar a vida. Já que, muitas pessoas aproveitam o momento de sair para correr como uma espécie de exercício criativo, de conexão com ideias e pensamentos. O running como espaço para ampliar a curiosidade. Para ouvir, colaborar, fracassar, descobrir, explorar e ver com novos olhos. Quando você se abre para a criatividade, algo novo nasce.
O running nos oferece o espaço para criar novos mundos, resolver problemas pessoais e profissionais. Ou seja, um espaço para sonhar.
Correr, ler e criar andam de mãos dadas. Porque a atividade física gera muitos processos que estimulam o pensamento criativo. Sonhar acordado, encontrar inspiração, saber aproveitar as informações que percebemos com todos os sentidos. Tudo se comunica e nos permite nos alinhar com a energia criativa que reside em cada um de nós.

Paciência, calma e criatividade para apreciar o ambiente
Correr com paciência, calma e criatividade também é uma forma de vivenciar o mundo de outra maneira. De perceber o que sempre esteve ali: o cheiro do bairro, o ritmo da cidade, as pessoas que passam. A cada passo, uma forma diferente de agradecer.
Paciência com o corpo, calma na mente e criatividade no coração. Percorrer quilômetros é uma forma de compreender o movimento. Perceber a cumplicidade entre a mente e o corpo. E, ao mesmo tempo, expressar o amor pela vida.
A paciência se treina e, ao mesmo tempo, a calma também pode ser uma boa companheira de viagem. São ideias abstratas, eu sei; talvez estejamos acostumados a pensar que correr é algo mecânico. Mas não é assim: é uma dança entre a mente, o corpo e o coração.
Paciência com o corpo, calma na mente e criatividade no coração. Afinal, para quem não corre: é um enigma. Para quem corre, é uma forma de seguir em frente.
Obrigada por correr comigo até aqui. Escolher ler em vez de ficar rolando a tela é uma pequena declaração de independência. Se este post te deixou alguma reflexão, me conta nos comentários. E se quiser continuar, o próximo quilômetro espera por você.


