Bem-estar Digital

Formas de “hackear” nossa mente nas redes sociais

Ao ler sobre bem-estar digital, encontrei essas informações sobre algumas formas de “hackear” nossa mente nas redes sociais. Quando pesquisei sobre o assunto, achei um pouco exagerado; no entanto, com o tempo, percebi que não custa nada saber do que se trata essa tecnologia e quais são seus objetivos. Afinal, não se trata de ser tecnofóbico, mas sim de saber, e saber é poder.

Formas de "hackear" nossa mente
Foto de Bich Tran em Pexels

Existem muitas maneiras de “hackear” nossa mente; hoje vou compartilhar três delas com você: a comparação social, o viés de negatividade e o risco de viver em uma bolha digital. Vale destacar que não estou escrevendo com o objetivo de nos deixar paranoicos, mas sim com o desejo de que possamos estar mais atentos, para tirar o melhor proveito da tecnologia. E, assim, investir nosso tempo em aprender e criar mais.

1. As redes sociais nos mantêm em um estado de comparação social

Essa profunda necessidade que todos temos de nos comparar com os outros não foi uma invenção da tecnologia. Tampouco foi criada pelos fundadores do Facebook, TikTok ou Instagram. Simplesmente, eles potencializaram essa fraqueza ancestral que todos temos de ser amados e aceitos. O valor depende do olhar alheio (e, no mundo digital), isso fica ainda mais evidente. Assim, isso se manifesta na forma de pessoas que seguem outras, joinhas, obsessão por “curtidas” e muito mais.

Temos uma autoestima frágil e, nos laboratórios das empresas de redes sociais, eles sabem disso. Pois, segundo estudos de neurociência, “o córtex pré-frontal do nosso cérebro dá prioridade às informações sobre nós mesmos”. Por isso, em nosso feed, os aplicativos nos mostram lembranças e eventos. Então, a selfie é popular e os algoritmos sabem disso.

Existem muitas maneiras de “hackear” nossa mente e, como adultos, podemos perceber isso. Mas, e as crianças e os adolescentes? A “geração do like” depende de um algoritmo? Isso não é justo. Afinal, se isso nos afeta como adultos, eles são afetados ainda mais.

Certamente você já percebeu que esse padrão nos mostra imagens de pessoas vivendo uma vida perfeita. E, no fundo, sabemos que isso não é real, que ninguém mostra o lado feio no Instagram, apenas o ideal.

Como neutralizar esse “hackeio” do nosso cérebro? Quanto mais ficarmos longe das redes que geram esses comportamentos, melhor. Mas, é difícil abandonar tudo. Para isso, praticar o minimalismo digital é uma ótima opção.

2. Muitas notícias nas redes sociais aumentam seu medo e sua ansiedade

Formas de "hackear" nossa mente
Foto de Polina Zimmerman en Pexels

Essa é outra forma de “hackear” nossa mente. Você sabe o que é o viés de negatividade?
É o fenômeno psicológico em que nosso cérebro processa as informações negativas mais rapidamente do que as positivas. Daí vem a frase: “O ruim é mais forte do que o bom”.

Do ponto de vista evolutivo, o ser humano sempre esteve alerta a esses estímulos negativos com o objetivo de sobreviver. Hoje em dia, não corremos o risco de ser devorados por um animal selvagem.

Mas estamos expostos a uma grande quantidade de assuntos nas redes sociais. Por isso, as notícias que geram indignação, medo e repulsa se tornam mais virais do que as positivas.

Como você se sente depois de ler tuítes ou notícias? Certamente seu ânimo cai, você se sente triste ou com medo. As redes sociais se alimentam da indignação.

Estranhos gritando através das telas, em confusão e com a ansiedade a mil. Muitos tuítes com notícias falsas e imagens geradas por IA. Muitas delas associadas a sentimentos de baixa vibração, que dividem e fazem mal.

Como neutralizar esse “hackeio” no nosso cérebro? Escolha a que dar atenção. Não acredite em tudo que lê e, muito menos, compartilhe algo sem saber a fonte original ou sem se perguntar: “Isso é real?”. Você deve agir em legítima defesa, fugindo dos estímulos negativos que despertam seu medo. Uma “dieta digital” pode te ajudar a criar uma distância mental desses conteúdos.

3. Formas de “hackear” nossa mente: as redes sociais nos colocam em uma bolha digital

Acreditamos que todos vemos os mesmos conteúdos, mas não é assim. Os algoritmos de software nos mostram informações semelhantes aos nossos interesses, criam um padrão a partir dessas informações e filtram o restante. Eles sabem do que gostamos e colocam isso à vista em nossas redes sociais. Isso se traduz em mais tempo de uso das telas. E nesse desenfreio digital, geramos dados e pagamos com nosso tempo. E outras indústrias ganham dinheiro com nossa atenção.

Las redes sociales hackean nuestro cerebro
Foto de fauxels em Pexels

Vivemos em uma espécie de bolha digital. As pessoas na foto acima estão olhando suas redes sociais, e nenhuma delas está recebendo a mesma informação. Todos nós vemos uma versão da realidade que é personalizada de acordo com o rastro que deixamos na internet. Isso intensifica a polarização e é uma das formas de “hackear” nossa mente, por meio do que é conhecido como viés de confirmação.

O viés de confirmação é “a tendência de dar preferência às informações que confirmam as próprias crenças. Também inclui buscar, interpretar e lembrar dessas informações. Isso ocorre de forma desigual, dando menos consideração a possíveis alternativas”.

Ou seja, quando temos um ponto de vista específico, gostamos de certas informações e, por outro lado, rejeitamos outras. Um exemplo claro é a rede social X ou o Twitter. Em que, mesmo sendo completos estranhos, podemos passar o dia discutindo para resolver questões que estão além do nosso alcance.

Contrariar a manada digital nos assusta, porque nosso cérebro é extremamente sensível à exclusão social.

Por isso, é mais confortável nos encaixarmos nesse padrão “para nos adaptarmos”, mesmo que às vezes não nos sintamos tão à vontade. As redes sociais aprofundam essa divisão. Elas nos isolam. Vemos em nossas telas apenas o que queremos ou o que querem que vejamos.

Como neutralizar esse “hackeio” do nosso cérebro? Siga nas redes sociais pessoas com quem você não concorda. Isso lhe dará uma visão mais ampla das informações.

Leia fontes de notícias sem segundas intenções. Isso fará com que você saia dessa bolha confortável em que os algoritmos o mantêm.

Não se limite ao que o aplicativo mostra; vá além. Precisamos nos esforçar para ser mais atentos e menos passivos na hora de escolher o que fazer.

Formas de “hackear” nossa mente: uma pergunta

As redes sociais “hackeiam” nosso cérebro? A resposta é sua. Minha intenção é colocar as cartas na mesa para que, juntos, decidamos para onde direcionamos nossa atenção. Porque essa decisão, pequena e cotidiana, é mais poderosa do que parece.


Obrigada por correr comigo até aqui. Escolher ler em vez de ficar rolando a tela é uma pequena declaração de independência. Se este post te deixou alguma reflexão, me conta nos comentários. E se quiser continuar, o próximo quilômetro espera por você.

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