Como recuperar a atenção fora das telas é uma das minhas obsessões: afinal, quem nunca se sentou para ler um e-mail e acabou comprando algo de que não precisava? Nesse meio-tempo, vamos passando de um link para outro, de uma foto para um vídeo. Ao mesmo tempo, damos curtidas em tudo. E então, depois de um bom tempo, acordamos e nos pegamos balançando a cabeça de um lado para o outro, nos perguntando: como perdi tanto tempo?

Em primeiro lugar, este post tem como objetivo compartilhar algumas ideias e recomendações; não é, de forma alguma, uma tentativa de lhe dar “a pílula vermelha” do filme Matrix. Escrevo isso como um aperitivo, uma forma de convidá-lo a questionar seus hábitos digitais.
Como recuperar a atenção: melhore sua relação com a tecnologia
Em nosso feed (que em português significa “alimentação”), recebemos pequenas porções na forma de recompensas intermitentes: conteúdos variados e de todos os tipos, criados exclusivamente para nós pelo algoritmo. Por isso, em busca de validação, queremos dar e receber aquela dose de dopamina na forma de um coração que muitos aplicativos utilizam. O objetivo é estarmos mais atentos ao tempo que passamos nas redes sociais, não necessariamente abandoná-las. Ou será que sim?
Talvez você se pergunte: como recuperar a atenção em um mundo de telas? O caminho começa transformando certos hábitos e tomando decisões firmes em prol da nossa saúde mental. Se você não sabe por onde começar, convido você a ler livros sobre bem-estar digital, pesquisar artigos especializados ou ouvir um podcast como este:
Se assumirmos a responsabilidade de ser usuários digitais mais críticos, faremos um uso equilibrado de nossos dispositivos. Em um ato de autodefesa, com o tempo, “domaremos” nossas telas.
Porque sei que podemos recuperar a capacidade de prestar atenção ao momento presente e aproveitar o que temos diante de nós. Nem sempre é necessário viver por meio de uma tela; afaste-se delas de vez em quando para concentrar sua energia com maior autonomia em relação às ferramentas digitais.
Use seus dispositivos digitais com cuidado
Neste blog, você encontrará muitos artigos que vão te orientar. E também há muito conteúdo, vídeos e livros disponíveis na internet sobre bem-estar digital e tecnologia humana. No entanto, todos nós temos nosso “momento eureka”, aqueles momentos que nos abalam. Vou te contar o meu.
Para mim, esse “aha moment” foi perceber que passava mais tempo observando a vida dos outros em uma tela do que vivendo a minha própria. Esse foi o meu ponto de virada. Talvez o seu seja diferente, mas se você está lendo isso, provavelmente já o reconheceu.
Não se trata de abrir mão do que é bom, mas de fazer escolhas mais acertadas. Recuperar a atenção é um caminho que começa pelo reconhecimento dos hábitos digitais que repetimos todos os dias sem refletir sobre eles.
Como recuperar a atenção: algumas sugestões:
A. Ser curador do que nos faz bem. Escolher com critério o que seguir, o que ler e quais aplicativos manter. Como quando você organiza sua biblioteca ou sua lista de músicas: apenas o que realmente agrega valor.
B. Ser mais ativo e menos reativo. Não abrir o celular por inércia. Decidir quando acessar as redes sociais, em vez de responder a cada notificação na hora.
C. Reconhecer o consumo passivo. Porque há uma diferença entre procurar algo com um propósito e ficar preso no scroll infinito. O primeiro é ativo, o segundo esgota você.
Manter as notificações ativadas nos mantém em um estado de alerta permanente. Ou seja, é uma das formas mais eficazes de roubar nossa tranquilidade, minuto a minuto. Por isso, convido você a recuperar, a cada dia, o poder de decidir a que você dá atenção. Um pequeno passo em direção ao minimalismo digital.
Como explica Tim Wu em The Attention Merchants, nossa atenção é valiosa e não podemos continuar a entregá-la tão facilmente.
Se você não sabe por onde começar, aqui vão três recursos que me ajudaram:
1. O livro “Minimalismo Digital”, de Cal Newport.
2. O aplicativo Forest para bloquear distrações.
3. Sair para caminhar por dez minutos sem o celular.
São simples, mas eficazes.
Espero ter contribuído de alguma forma para que você possa se questionar e trilhar seu próprio caminho. Dar mais importância a tudo o que acontece fora das telas, e assim, valorizar as pequenas alegrias que acontecem aqui e agora. Isso, para mim, muda tudo.
Da próxima vez que você se perguntar como tanto tempo pôde passar, já saberá a resposta. E afinal, também saberá o que fazer.
Obrigada por correr comigo até aqui. Escolher ler em vez de ficar rolando a tela é uma pequena declaração de independência. Se este post te deixou alguma reflexão, me conta nos comentários. E se quiser continuar, o próximo quilômetro espera por você.



