Running

Runner’s Blue: Duas maneiras de lidar com a tristeza do corredor

Eu estava lendo Do que eu falo quando eu falo de corrida quando me deparei com o termo: “Runner’s blue”. Li duas vezes e algo fez sentido: eu já tinha passado por isso. Uma lesão no pé me deixou semanas sem propósito, sem asfalto, sem meta. No começo, foi frustrante. Depois, sem perceber, isso se transformou em uma oportunidade. Comecei a treinar força, a me movimentar de outra maneira.

runner's Blue
Foto de Nathan Cowley em Pexels

E quando voltei a correr, foram apenas alguns quilômetros, mas parecia que era a primeira vez. O runner’s blue não pediu permissão para chegar. Mas me ensinou algo que eu não esperava.

Então, antes de compartilhar com você algumas ideias para te acompanhar no seu processo de fazer as pazes com a sua própria “tristeza do corredor”, lembro que nem sempre queremos e precisamos sair para correr. Às vezes, o ritmo desenfreado de nossas vidas nos obriga a estar ocupados.

Talvez seja bom para você não fazer nada por enquanto. O dolce far niente é revigorante e nos permite descansar. É um convite a ser, mais do que a fazer. Vamos começar?

Duas maneiras de lidar com a sua Runner’s Blue:

1. Lembre-se do corredor que você já foi

É provável que você tenha esquecido o motivo que o levou a calçar os tênis. Talvez a Runner’s Blue tenha surgido para que você se lembre do corredor que já foi um dia. Relembre daquele momento em que tudo começou, do dia em que decidiu aprender sobre corrida e ela passou a fazer parte da sua vida.

Aquela pessoa que completou os primeiros 5 km no seu próprio ritmo. E que, com um sorrisão — ou aos prantos —, chegou na linha de chegada, se sentindo a pessoa mais feliz do mundo. Aquele corredor nem sabia direito os termos da corrida. Mas tinha uma vontade e uma curiosidade danadas de aprender.

Talvez tenha chegado a hora de voltar a treinar sem GPS. Mais leve, talvez sem música. Apenas ouvindo seus pés tocando o chão. E prestando muito mais atenção ao que está ao seu redor.

Pode ser nesse momento. Quando você se concentrar no seu objetivo como da primeira vez. Você poderá apreciar um pouco mais a essência do seu ser. Isso vai além dos tempos, das roupas da moda e da foto com a medalha no Instagram ou do reel no TikTok.

Correr com mais liberdade, sem artifícios. Aproveitar cada passo com atenção e intenção.

Outras ideias para lidar com a fase de runner’s blue. Parar e concentrar sua atenção em outras modalidades esportivas, praticar ioga ou sair de bicicleta. Acho que ler livros de running pode ser outra opção . Fazer exercícios funcionais para correr com mais força física, entre outras atividades que você pode praticar.

2. Corra mais por sensações

A tristeza do corredor, ou Runner’s Blue, não é algo que se compartilha com frequência nas redes sociais. Recomendo que você compartilhe o que está sentindo. Talvez haja outros corredores passando por essa mesma tristeza. Porque é uma fase que precisamos vivenciar sem preconceitos.

Provavelmente, isso é um sinal de que você precisa dar um tempo para fazer outras coisas. Talvez você tenha exagerado nos treinos ou talvez precise praticar sem estresse. Sua mente está alertando você para que preste mais atenção ao seu corpo. Corra mais com base nas sensações e não se concentre tanto nos resultados.

Por isso, faça atividades relacionadas à corrida. Leia e pesquise sobre o assunto. Dê uma nova perspectiva à sua relação com o atletismo e preste atenção a outras modalidades esportivas completamente diferentes.

Dê tempo a si mesmo, viva e sorria mais, corra quando tiver vontade. Os quilômetros percorridos são seus. As medalhas, lágrimas e sorrisos são a recompensa que a corrida lhe proporcionou. Coloque um pé na frente do outro, assim como você começou naquela vez. Sem pressa, mas sem parar. Em algum momento, você dirá: Tchau, runner’s blue! Chegou a hora de sair e dizer: “Não vou pensar, vou correr e conversar mais”.

O dia em que voltei a calçar os tênis não foi dramático. Não teve música épica nem nova meta no horizonte. Apenas a vontade, discreta, mas real, de sair.

A tristeza do corredor não tirou de mim a corredora. Ela me devolveu uma corredora mais forte, mais atenta e com os pés mais bem treinados do que nunca.

Às vezes, parar é o melhor treino.


Obrigada por correr comigo até aqui. Escolher ler em vez de ficar rolando a tela é uma pequena declaração de independência. Se este post te deixou alguma reflexão, me conta nos comentários. E se quiser continuar, o próximo quilômetro espera por você.

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